O governo brasileiro anunciou medidas de apoio a setores afetados depois que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou, em 15 de julho, a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil, com vigência a partir de 22 de julho.
Segundo o USTR, a sobretaxa decorre de uma investigação de um ano amparada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que apontou práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal como prejudiciais a agricultores, trabalhadores e exportadores americanos. A embaixadora Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que a medida busca corrigir práticas consideradas desleais, mas indicou abertura para negociações futuras.
Plano de apoio do governo
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a administração federal prepara um programa de socorro às empresas exportadoras atingidas pelo tarifaço. A proposta, segundo ele, visa mitigar os impactos da sobretaxa e ampliar a inserção de produtos brasileiros em outros mercados.
Alckmin disse que o BNDES, a ApexBrasil e a ABDI intensificarão ações para abrir novas frentes comerciais e apoiar empresas em dificuldade. Os detalhes do programa ainda não foram divulgados, mas as medidas devem ser anunciadas nos próximos dias, antes da entrada em vigor da tarifa, em 22 de julho.
Produtos incluídos e excluídos
Nem todos os itens exportados pelo Brasil foram alcançados pela taxação. Aeronaves civis, petróleo, carne bovina e café ficaram fora da lista, assim como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja — grupo que representou cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano.
Por outro lado, setores como siderurgia, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos e maquinário agrícola sofreram a sobretaxa. O USTR justificou isenções por produtos que os EUA não produzem internamente em volume ou preço suficientes.
Entidades do setor cafeeiro celebraram a exclusão do produto, mas avisaram que o USTR pode abrir uma segunda investigação que resultaria em uma tarifa adicional de 12,5% sobre o café.
Resposta e ações internacionais
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou não reconhecer a legitimidade da investigação americana e considerou 15 de julho um marco lamentável nas relações bilaterais. O governo declarou que acionará os instrumentos da Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.
A nota do governo rebateu ponto a ponto as acusações do USTR, defendendo que o Pix é patrimônio público e que o país reduziu de forma significativa o desmatamento ilegal desde 2023. Também citou números para mostrar que a relação comercial beneficia os EUA: US$ 424,5 bilhões de superávit americano em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos e 76% das importações originárias dos EUA entrando no país sem imposto em 2025.
Reação diplomática e industrial
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os EUA tentaram impor uma capitulação nas negociações, exigindo abertura total de setores sem contrapartidas, e ressaltou que houve mais de 30 reuniões entre os dois governos desde março de 2025 sem acordo. Vieira também interpretou o tarifaço como motivado por razões políticas, lembrando do tarifaço de 50% aplicado em 2025.
As principais federações industriais reagiram criticando a sobretaxa. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) considerou a medida prejudicial por ser unilateral e reduzir a competitividade brasileira; a Federação das Indústrias de Minas Gerais defendeu mais diálogo. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, afirmou que os efeitos já foram sentidos no primeiro trimestre, com queda nas exportações para os EUA em 20 dos 27 estados, e que o cenário poderá piorar.
As autoridades prometem anunciar as ações de apoio e manter interlocução com setores produtivos nos próximos dias.
Com informações de Paranaibamais




