A cachaça de alambique tem ganhado espaço além das fronteiras brasileiras, mas esbarra em desafios comerciais e produtivos que limitam sua penetração no mercado internacional. Dados do Anuário da Cachaça indicam que, em 2025, as exportações do setor cresceram 19,4% em volume e 17,4% em valor na comparação com 2024. Ainda assim, essa evolução exige adaptação por parte dos produtores.
Especialistas e agentes do setor apontam que qualidade e tradição não bastam para garantir vendas externas: é preciso estrutura. Entre as demandas citadas estão a organização dos produtores, a regularização, a padronização, o controle de qualidade e a escala de produção, além da adequação às especificidades de cada mercado e do acesso a canais de comercialização internacionais.
Programas de apoio
Iniciativas públicas e privadas atuam para reduzir essas lacunas. O programa ATeG (Assistência Técnica e Gerencial) trabalha com a gestão e o desenvolvimento de empreendimentos, orientando produtores na profissionalização da atividade e na preparação para novos mercados. Já o agroBR inclui a cachaça entre suas cadeias produtivas prioritárias e foca em aproximar empreendedores de oportunidades comerciais no exterior.
Consultores envolvidos na iniciativa enfatizam a necessidade de identificar consumidores e mercados capazes de reconhecer o diferencial da cachaça mineira e pagar por esse valor agregado. O agroBR busca, segundo seus consultores, auxiliar na preparação, na conexão com compradores e na abertura de mercados compatíveis com o perfil dos produtos.
Exemplo local e entraves práticos
Um caso concreto é o da Cachaça Padre Doutor, produzida pela família de Mírian Carolina Silva, em Córrego Fundo (MG). Apesar de figurar entre os cinco melhores do Prêmio CNA Brasil Artesanal, a marca ainda enfrenta barreiras para entrar no mercado externo. A família aponta que superar limitações de volume, custos e falta de estratégias comerciais estruturadas é essencial para viabilizar exportações.
Produtores do segmento ressaltam que o reconhecimento por prêmios e pela qualidade é importante, mas insuficiente. Para transformar esse diferencial em negócios sustentáveis fora do país, é preciso combinar certificações, processos padronizados, capacidade produtiva compatível com demandas internacionais e canais de comercialização eficazes.
Com o apoio de programas como ATeG e agroBR, o setor busca reforçar a gestão, articular a cadeia produtiva e identificar mercados que valorizem as características da cachaça de alambique, objetivo central para ampliar a participação nas vendas externas.
Com informações de Gazetadotriangulo




