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sábado, setembro 12, 2026

Cientistas brasileiros recebem prêmios internacionais por pesquisas sobre diagnóstico de Alzheimer

Dois pesquisadores brasileiros foram reconhecidos por entidades internacionais por trabalhos que visam melhorar o diagnóstico e a compreensão do Alzheimer. Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por contribuições relacionadas a mecanismos da doença e ao uso de biomarcadores sanguíneos.

Quem e o que: Mychael Lourenço recebeu o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, concedido pela organização Alba a cientistas em meio de carreira, e, segundo foto de divulgação, o prêmio foi atribuído em 2026. Wagner Brum foi contemplado com o Next “One to Watch”, da Alzheimer’s Association, prêmio voltado a jovens pesquisadores com atuação destacada na área.

Onde e por que: Ambos atuam em grupos de pesquisa no Brasil: Lourenço coordena um laboratório dedicado às demências na UFRJ, enquanto Brum desenvolve estudos na UFRGS. Os reconhecimentos ocorrem em um momento em que a comunidade científica busca ampliar o diagnóstico precoce do Alzheimer e entender suas variações na população brasileira, já que grande parte das pesquisas ainda se concentra no Norte global.

Como e o que pesquisam: Lourenço investiga por que algumas pessoas apresentam alterações cerebrais associadas ao Alzheimer sem sintomas cognitivos e analisa mecanismos de resiliência. Em modelos animais, ele testa substâncias para evitar o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau. Outra vertente de seu trabalho é avaliar biomarcadores sanguíneos identificados em outros países para confirmar se são aplicáveis ao Brasil ou se existem marcadores específicos locais, com o objetivo de detectar a doença antes da manifestação evidente dos sintomas.

Wagner Brum foca no desenvolvimento de protocolos para implementação clínica de exames de sangue que medem a proteína p-tau217, considerada um dos principais marcadores biológicos do Alzheimer. Seu protocolo visa definir parâmetros de leitura para uso rotineiro, inclusive quando os níveis do biomarcador ficam em faixas intermediárias e requerem exames complementares. O método já é utilizado por laboratórios na Europa e nos Estados Unidos, mas no Brasil está restrito a poucas unidades privadas.

Atualmente, o diagnóstico baseia-se principalmente na avaliação clínica e em exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética. Os testes mais específicos, como análise do líquor e PET-CT, têm custo elevado e acesso limitado. Pesquisadores apontam que exames de sangue mais acessíveis podem reduzir procedimentos invasivos e permitir identificação precoce, possibilitando intervenções antes que os danos cerebrais se tornem irreversíveis.

As pesquisas dos dois grupos recebem apoio de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a Fundação Serrapilheira e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Entre os objetivos está reunir evidências que permitam a adoção desses exames no Sistema Único de Saúde (SUS).

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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