Na sexta-feira (7), data do Dia Internacional da Cerveja, o percurso da bebida — da planta ao envase — ganha destaque. A produção envolve fases distintas que influenciam sabor, aroma e outras características finais, e um dos principais desafios no Brasil é o cultivo do lúpulo.
O cultivo do lúpulo e suas especificidades
O lúpulo, planta da família Cannabaceae, precisa de longos períodos de luminosidade para se desenvolver bem — condição comum em verões de países como Estados Unidos e Alemanha, mas incomum no Brasil. Para contornar essa limitação, produtores brasileiros adotam iluminação artificial para simular dias mais longos e estimular o crescimento das plantas.
Embora seja parente da cannabis, o lúpulo não produz THC e, por isso, não causa efeito entorpecente; segundo o produtor Murilo Ricci, a planta pode provocar apenas um efeito relaxante e seu cultivo é permitido no país.
Da flor ao insumo para a bebida
A parte aproveitada do lúpulo é a flor, que contém grânulos chamados lupulina — responsáveis por grande parte do amargor e dos aromas — e óleos essenciais usados na produção. Após a colheita, as flores não são lavadas para evitar oxidação; são limpas manualmente e submetidas à secagem, etapa que reduz a umidade e dura entre 16 e 20 horas.
Para facilitar o uso industrial, o lúpulo costuma ser transformado em pellet — triturado e prensado —, explica o engenheiro de alimentos e cervejeiro Guilherme Manganello.
Ingredientes e processo de fabricação
O malte pilsen, também chamado de malte claro ou malte base, forma a base da maioria das receitas. Em cervejas rotuladas como puro malte, usa-se apenas malte, sem outros cereais. É possível empregar malte de trigo em estilos específicos e, em algumas receitas, adjuntos cervejeiros como milho, arroz, centeio e sorgo.
Na fábrica, os grãos são moídos e misturados à água para formar o mosto, um líquido adocicado. Após resfriamento, é acrescentada a levedura, o microrganismo que realiza a fermentação: consome açúcares e gera álcool, gás carbônico e compostos que definem sabores e aromas. Esse estágio costuma durar entre 15 e 20 dias.
Concluída a fermentação, a bebida segue para o envase, recebe tampa e rótulo e é armazenada em câmara fria para preservar frescor.
Cerveja x chopp e preferência dos consumidores
No Brasil, diferencia-se cerveja de chopp pela pasteurização: a cerveja normalmente é pasteurizada para aumentar conservação, enquanto o chopp não é submetido a esse processo. Manganello afirma que sua cervejaria opta por não pasteurizar, buscando manter o produto mais fresco, embora a pasteurização prolongue o tempo de prateleira.
Entre os estilos, a pilsen segue como o preferido dos brasileiros, caracterizada por cor dourada, amargor moderado e teor alcoólico geralmente entre 4,5% e 4,8%.
Além disso, iniciativas como o projeto “Rotas da Cerveja” foram lançadas com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região, incentivando o conhecimento sobre a produção artesanal local.
Com informações de G1




