Com o encerramento das férias de meio de ano, famílias e estudantes enfrentam a tarefa de retomar a rotina escolar. A transição entre o período de descanso e o retorno às aulas pode provocar impacto no sono, no comportamento e no desempenho das crianças, alerta a pediatra Dra. Fabiana Soares, do Hospital Anchieta.
Por que a mudança brusca de horários é prejudicial
Dra. Fabiana explica que alterar de forma súbita os horários de sono — como dormir muito tarde nas férias e precisar acordar cedo no retorno — pode trazer consequências físicas e comportamentais. O organismo infantil precisa de tempo para se ajustar às mudanças de rotina, assim como nos adultos.
Entre os efeitos mais frequentes da mudança abrupta estão irritabilidade, oscilações de humor, sonolência excessiva em sala de aula, dificuldade de concentração, queda no rendimento escolar, dores de cabeça e alterações no apetite. Segundo a especialista, muitas vezes impaciência ou mau-humor são interpretados como birra, quando na verdade decorrem de privação de sono, que é fundamental para aprendizado, memória, crescimento e equilíbrio emocional.
Como promover a readaptação
A recomendação central da pediatra é evitar deixar a reorganização de horários para a véspera do retorno. O ideal é iniciar a adaptação alguns dias antes: antecipar em cerca de 15 a 30 minutos, a cada dia, os horários de dormir e de acordar até alcançar a rotina escolar.
Além de ajustar o sono, Dra. Fabiana sugere medidas práticas a serem feitas em conjunto com as crianças: retomar os horários habituais das refeições, preparar mochilas, uniformes e materiais com antecedência e conversar de forma positiva sobre a volta às aulas para gerar acolhimento e expectativa favorável.
Limite de telas e ambiente para dormir
A pediatra orienta que aparelhos eletrônicos — celulares, tablets, computadores e televisores — sejam desligados pelo menos uma hora antes de dormir. A luz das telas bloqueia a produção de melatonina, hormônio que sinaliza ao corpo o momento de repouso. Esse período pré-sono pode ser preenchido com atividades mais calmas, como ler uma história, conversar sobre o dia ou ouvir música tranquila.
Reduzir ansiedade no retorno
O retorno às aulas não deve ser tratado como punição. É natural que crianças sintam ansiedade ou insegurança ao se despedirem dos dias livres. Dra. Fabiana recomenda evitar expressões desestimulantes como “acabou a diversão” ou “agora é sofrimento” e reforçar o ambiente escolar como espaço de convivência, amizade e aprendizado. Pais que demonstram tranquilidade e entusiasmo ajudam os filhos a enfrentar a mudança de forma mais leve.
Com essas medidas práticas, a transição do período de férias para a rotina escolar pode ser mais gradual e menos estressante para toda a família.
Com informações de Paranaibamais




