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sábado, outubro 31, 2026

Conferência em Porto Alegre aponta Palestina como eixo da resistência contra ofensiva de caráter fascista

Transmissão: Band

A 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, realizada em Porto Alegre entre 26 e 29 de março, colocou a questão palestina como centro da discussão sobre uma ofensiva global de caráter fascista. No sábado (28), o debate “A resistência palestina ao genocídio e à opressão do Estado de Israel” reuniu jornalistas, diplomatas, ativistas e pesquisadores no Salão de Atos da UFRGS, em sessão que registrou casa cheia e contou com apresentações culturais, como danças dabka do grupo folclórico palestino Terra e do grupo Guapas 60+, formado por educadores aposentados.

O jornalista Breno Altman, do Ópera Mundi, abriu a rodada de falas destacando a dimensão simbólica e geopolítica do conflito no Oriente Médio e relacionando ações militares da região a reações internacionais. Em sua intervenção, disse que ataques iranianos seriam uma forma de vingança por mortes de civis palestinos e afirmou que a disputa na Palestina funciona como “régua moral e geopolítica” do mundo, sinalizando quem estaria do “lado certo” ou “errado” da história. Altman também argumentou que o enfraquecimento do apoio americano a Israel poderia abalar a estratégia dos EUA na região.

O painel foi iniciado por Leandro Demori (ICL) e mediado por Gabi Tolotti, presidenta do PSOL-RS e integrante da Global Sumud Flotilha, que enquadrou a situação palestina como parte de uma escalada de violência vigente há mais de oito décadas e alertou para uma normalização inquietante dos ataques em Gaza.

Participantes e principais posições

Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina (Fepal), classificou o atual estágio de ataque à Palestina como uma forma avançada de fascismo, um “totalitarismo genocidário” que, segundo ele, não é pontual a governos específicos e se estende ao longo de administrações americanas. Rabah afirmou que a violência atual busca atingir a reprodução e a base social palestina e colocou o sionismo no contexto do colonialismo, apontando a persistência do povo palestino como uma vitória histórica.

Thiago Ávila, da Global Sumud Flotilha, ressaltou o papel das mobilizações internacionais e apontou o Irã, o Líbano e a própria Palestina como frentes de resistência regional. Ele questionou narrativas que falam em cessar-fogo, descreveu a situação em Gaza como um cerco e usou o termo “tecnofascismo” para se referir ao uso intenso de tecnologias militares contra a população civil.

Do lado diplomático, o embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril, enfatizou o efeito moral das manifestações globais, afirmando que ver bandeiras e pessoas mobilizadas dá ânimo aos palestinos. Ibrahim Alzeben, embaixador da Liga Árabe no Brasil, agradeceu o apoio brasileiro e assinou que representa o sentimento de mais de 400 milhões de árabes solidários à causa.

Maren Mantovani, do movimento BDS, defendeu medidas que vão além da denúncia, propondo o corte de relações com empresas militares e de tecnologia associadas a Israel. Muna Muhammad Odeh (Andes-SN) apontou o uso massivo de armamentos modernos em Gaza e defendeu a ruptura de vínculos diplomáticos e comerciais com Israel, citando ainda que o Instituto Lemkin teria classificado Israel como um Estado genocida apoiado por parte de sua sociedade.

No debate final, Sayid Marcos Tenório (Ibraspal) tratou a situação como processo de colonização e citou instrumentos do direito internacional — incluindo Carta da ONU e Convenções de Genebra — para legitimar a resistência de povos sob ocupação. Ele afirmou que reações do Irã vem fragilizando a imagem de invencibilidade de Israel. A vereadora Mariana Conti (PSOL) e a vereadora Juliana de Souza (PT) também participaram, destacando, respectivamente, o papel da solidariedade internacional e das mulheres palestinas como protagonistas e principais vítimas do conflito. Juliana lembrou o reconhecimento do Estado palestino pelo Brasil em 2010 e a declaração de 2025, quando o presidente brasileiro teria sido o primeiro a classificar os ataques como genocídio, além de criticar vetos dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU.

Ao longo do encontro, os participantes descreveram a conferência como espaço para articular solidariedade internacional, enfrentar ofensivas autoritárias e organizar respostas em defesa da soberania dos povos, remetendo Porto Alegre à sua tradição de sediar encontros de movimentos sociais. A mediação de Gabi Tolotti encerrou o debate com um chamado à ação coletiva e o público concluiu cantando “Palestina livre”.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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