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O Dia do Vira-Lata é celebrado em 31 de julho e reúne lembranças da origem do termo, dados sobre abandono de animais e campanhas de adoção. A expressão “vira-lata” surgiu em referência à cena comum, no passado, de cães abandonados revirando latas de lixo em busca de alimento. Com o tempo, o termo deixou de ser apenas associado ao abandono e passou a carregar significado afetivo, simbolizando carinho e companheirismo para milhões de brasileiros.
Origem do nome e significado cultural
A designação “vira-lata” teve origem na observação cotidiana de cães sem raça definida que procuravam comida em latas de lixo nas cidades. Décadas depois, o conceito ganhou nuances positivas: além de carinho, passou a representar resistência e adaptação. Na década de 1950, o escritor Nelson Rodrigues usou a expressão “complexo de vira-lata” para descrever um sentimento de inferioridade nacional após a derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã. Hoje, porém, a associação do termo quase se inverteu, sendo frequentemente vinculada a características vistas como identitárias do país, como resiliência e diversidade.
Por que 31 de julho?
A data remete ao filme brasileiro “Meu Cachorro é um Vira-Lata”, lançado em 1979. Ao longo dos anos, o dia deixou de ser apenas uma homenagem cinematográfica e passou a ser utilizado por organizações e protetores para promover a adoção responsável e combater o preconceito contra cães sem pedigree.
Mobilização e reconhecimento
ONGs, protetores independentes e clínicas veterinárias costumam usar o 31 de julho para realizar campanhas de adoção e ações de conscientização em várias cidades. O vira‑lata caramelo alcançou destaque nas redes sociais, virou meme, estampa de produtos e apareceu em campanhas publicitárias. Em 2020, o vira‑lata caramelo participou de uma ação publicitária sobre a nova nota de R$ 200 do Banco Central; embora tenha havido campanha para que o animal fosse estampado na cédula, o BC optou pelo lobo‑guará.
No âmbito legislativo, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 1.897/2023, que propõe reconhecer a expressão “vira‑lata caramelo” como manifestação cultural imaterial do Brasil. Em 2026, o Estado de São Paulo sancionou lei que reconhece oficialmente o Vira‑Lata Caramelo como expressão cultural paulista.
Números e situação dos SRDs no Brasil
Estima‑se que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivam em situação de abandono ou vulnerabilidade no Brasil, segundo entidades de proteção animal e o Instituto Pet Brasil. A maior parte desses animais é formada por cães sem raça definida (SRD). Entre 60% e 70% das adoções realizadas em feiras e abrigos correspondem a animais SRD, e eles já representam a maior parcela entre os pets que vivem em lares brasileiros.
Saúde, comportamento e adoção
Especialistas apontam que a diversidade genética dos vira‑latas pode reduzir a incidência de algumas doenças hereditárias, fenômeno conhecido como vigor híbrido. Muitos SRDs apresentam expectativa de vida entre 12 e 15 anos, podendo ultrapassar os 18 anos quando recebem cuidados adequados, além de boa capacidade de adaptação e temperamento equilibrado para conviver em famílias. Entretanto, não são imunes a doenças: problemas de pele, articulares, otites e parasitoses podem afetá‑los, por isso vacinação, alimentação adequada, castração e acompanhamento veterinário são essenciais.
Adotar um vira‑lata implica benefícios para o animal e para o adotante: retira o cão das ruas ou de abrigos, reduz o número de animais abandonados, combate o preconceito contra SRDs e diminui a procura por criadouros clandestinos. Estudos também indicam efeitos positivos para a saúde física e emocional dos tutores, como redução do estresse e da sensação de solidão, incentivo à atividade física, melhora do sono e desenvolvimento de responsabilidade em crianças.
O vira‑lata caramelo, embora não seja raça, tornou‑se símbolo popular por características atribuídas à categoria: lealdade, afeto e capacidade de recomeço que conquistaram milhões de famílias no país.
Com informações de Paranaibamais




