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terça-feira, outubro 13, 2026

Empresa australiana Lynas compra projeto de terras raras em Minas Gerais por A$ 968 milhões

Operação e condições

A Lynas Rare Earths informou nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, que firmou um acordo para comprar 100% da Meteoric Resources em uma transação avaliada em aproximadamente A$ 968 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões. A aquisição será feita por meio de troca de ações, na qual cada ação da Meteoric dará direito a 0,0207 ação da Lynas, valor equivalente a A$ 0,286 por ação da Meteoric — um prêmio de 68,4% em relação ao preço de fechamento de 30 de setembro.

O acordo depende de diversas condições, incluindo aprovação dos acionistas da Meteoric, autorização judicial e aprovações regulatórias, inclusive no Brasil. As companhias planejam enviar aos acionistas, em dezembro, um documento com os detalhes da operação. A assembleia está prevista para janeiro de 2027 e, se todas as condições forem atendidas, a conclusão do negócio deve ocorrer até março de 2027.

Projeto Caldeira

O principal ativo que passará ao controle da Lynas é o projeto Caldeira, localizado em Minas Gerais, descrito pelas empresas como o maior recurso conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China. O projeto possui recursos minerais estimados em 128 milhões de toneladas e conta com um estudo definitivo de viabilidade (DFS).

Segundo a Lynas, o Caldeira tem estimativas de 802 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr) e 41 mil toneladas de óxidos de disprósio e térbio (DyTb). Com base no DFS da Meteoric, o projeto teria potencial para produzir, em média, cerca de 3.862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb por ano ao longo de sua vida útil.

A Lynas estima que serão necessários mais de US$ 500 milhões para desenvolver o empreendimento. A empresa também informou que pretende estudar a possibilidade de realizar etapas de processamento no Brasil e integrar a produção do Caldeira às suas operações na Austrália e na Malásia.

Governança e recomendações

Se a operação for concluída, os atuais acionistas da Meteoric deterão aproximadamente 5,9% das ações da Lynas em base totalmente diluída. O conselho da Meteoric recomendou por unanimidade que os acionistas aprovem a operação, condicionando sua recomendação à ausência de proposta superior e à conclusão de um especialista independente de que o negócio atende aos interesses dos acionistas.

O maior acionista da Meteoric, Tolga Kumova, e entidades associadas, que detêm cerca de 6,7% das ações, também manifestaram intenção de votar a favor sob as mesmas condições.

Financiamento e requisitos regulatórios

Como parte do acordo, a Lynas disponibilizará à Meteoric uma linha de financiamento de até A$ 110 milhões para apoiar o desenvolvimento do Caldeira, despesas operacionais relacionadas e necessidades de capital de giro durante o processo. Uma primeira parcela de A$ 35 milhões será liberada após a assinatura; a liberação do restante ficará sujeita ao cumprimento de determinadas condições.

A aquisição está sujeita à aprovação de autoridades brasileiras, incluindo uma autorização relativa à mudança de controle exigida pelas regras nacionais para transações envolvendo direitos minerários sobre minerais críticos e estratégicos. A Lynas declarou que pretende trabalhar com a equipe atual da Meteoric e aproveitar o conhecimento da companhia sobre o projeto e o setor mineral brasileiro.

Contexto sobre terras raras

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos com propriedades eletrônicas, magnéticas e ópticas essenciais para tecnologias como celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. Embora presentes em vários países, a maior parte da produção global e das etapas de refino e fabricação de ímãs concentra-se na China, que responde por cerca de 70% da produção mundial. O Brasil possui grandes recursos desses elementos, com ocorrências em Goiás, Minas Gerais, Bahia e Amazonas, e é apontado como detentor da segunda maior reserva mundial.

Entre depósitos brasileiros, Minaçu (GO) é citado como a única região que produz em escala comercial fora da Ásia a partir de argila iônica. Em termos de preços, neodímio e praseodímio valem cerca de € 55 por quilo (aproximadamente R$ 323/kg), enquanto o térbio pode superar € 850 por quilo (cerca de R$ 5.000/kg).

O Ministério Público solicitou que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça auditoria nos projetos de exploração de terras raras no Sul de Minas Gerais.

As empresas esperam encaminhar toda a documentação necessária e concluir o processo de aprovação conforme cronograma indicado.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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