O preço da arroba do boi gordo subiu de forma consistente até 9 de abril em várias regiões do Brasil, influenciado pela oferta reduzida de animais para abate e pelo ritmo acelerado das exportações, principalmente para a China. Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate estão encurtadas na maior parte das praças, cenário que sustenta a valorização dos preços.
Com menos animais disponíveis, frigoríficos vêm avaliando ajustes operacionais, como aumento da ociosidade durante abril e a possibilidade de férias coletivas, diante da dificuldade de formar boiadas em volume suficiente para manter operações normais.
No comércio internacional, a demanda externa tem pressionado ainda mais o mercado interno. Estimativas apontam que a cota de embarques pode se esgotar entre maio e meados de junho, gerando incerteza para o terceiro trimestre, período em que é esperada maior oferta de animais confinados. Algumas entidades indicam possibilidade de esgotamento já no início de maio.
Preços por praça (a prazo, até 9 de abril)
- São Paulo (Capital) – R$ 370,00 a arroba, alta de 2,78% em relação aos R$ 360,00 da semana anterior
- Goiás (Goiânia) – R$ 355,00 a arroba, avanço de 4,41% ante os R$ 340,00 registrados no final da semana passada
- Minas Gerais (Uberaba) – R$ 350,00 a arroba, aumento de 1,45% frente aos R$ 345,00 no fechamento anterior
- Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 360,00 a arroba, acréscimo de 2,86% ante os R$ 350,00 praticados na semana anterior
- Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, alta de 1,41% sobre os R$ 355,00 da última semana
- Rondônia (Vilhena) – R$ 330,00 a arroba, crescimento de 3,13% em relação aos R$ 320,00 do encerramento da semana anterior
Atacado
No atacado, os preços da carne bovina permaneceram firmes durante a semana, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. A entrada dos salários na economia tende a favorecer a reposição entre atacado e varejo, contribuindo para a sustentação dos preços. Contrabalançando a pressão, a carne de frango segue com preços mais baixos, limitando altas mais expressivas na carne bovina.
Entre os cortes acompanhados, o quarto dianteiro foi cotado a R$ 22,50 por quilo, representando alta de 2,27% em relação à semana anterior. Os cortes do traseiro bovino mantiveram-se estáveis, com preço de R$ 27,50 por quilo.
Comércio exterior
O desempenho das exportações segue robusto. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada registraram receita de US$ 1,360 bilhão, considerando 22 dias úteis, com média diária de US$ 61,835 milhões. O volume total exportado foi de 233,951 mil toneladas, com média diária de 10,634 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.814,80.
Na comparação com março de 2025, houve crescimento: aumento de 29% no valor médio diário exportado, avanço de 8,7% no volume médio diário e elevação de 18,7% no preço médio, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior.
O mercado segue acompanhando a evolução da oferta interna e da demanda externa, com atenção especial ao esgotamento das cotas e ao impacto dessa dinâmica nas próximas semanas.
Com informações de Uberlandianofoco




