As importações de veículos originários da China para o Brasil cresceram 105,4% nos primeiros sete meses de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No acumulado até julho, o país recebeu 344,1 mil autoveículos, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025.
O aumento das compras do exterior ocorre em sentido oposto às vendas brasileiras para outros mercados. De janeiro a julho, o Brasil exportou 255,9 mil autoveículos, contra 323 mil no mesmo intervalo de 2025, queda de 20,8%. Em julho, as exportações somaram 39,3 mil unidades, alta de 6,8% sobre junho.
Para a Anfavea, o ritmo das importações já representa parcela significativa diante da produção nacional. Segundo Igor Calvet, presidente da associação, o volume de quase 350 mil veículos supera a produção, no período, de muitas fábricas associadas, sinalizando demanda que poderia gerar mais atividade para plantas e fornecedores e, consequentemente, mais emprego.
Produção e vendas internas
Apesar da entrada elevada de importados e do recuo nas exportações, a produção brasileira avançou. As fábricas instaladas no país fabricaram mais de 1,6 milhão de veículos entre janeiro e julho de 2026, alta de 8,3% sobre as cerca de 1,5 milhão de unidades produzidas no mesmo período de 2025. Em julho, a produção foi de 253,9 mil unidades, aumento de 3,1% frente a junho e de 5,9% ante julho de 2025.
No ranking internacional, o Brasil ficou entre os países com maior crescimento na produção até julho, com alta acumulada de 8,8%, atrás apenas da Índia (14,5%). No mesmo levantamento, Japão cresceu 2,9%, enquanto Estados Unidos e China registraram quedas de 11,7% e 4%, respectivamente.
As vendas de veículos novos também tiveram desempenho positivo: julho foi o melhor mês do ano para emplacamentos, com 279,5 mil unidades, alta de 2,6% sobre junho e de 14,9% em relação a julho de 2025. No acumulado de janeiro a julho, foram registrados 1,7 milhão de emplacamentos, aumento de 17,9% ante o mesmo período do ano anterior. A média diária, porém, caiu para 12,2 mil veículos/dia, influenciada pelos 23 dias úteis de julho (contra 21 em junho).
Veículos eletrificados ganharam participação: elétricos e híbridos corresponderam a 23,5% dos emplacamentos em julho, a maior fatia da série histórica, contra menos de 11% em julho de 2025. No acumulado de 2026, a comercialização desses modelos cresceu 120,8%, e os carros totalmente elétricos alcançaram 25,8 mil unidades emplacadas em julho, recorde mensal.
Ofensiva chinesa e impacto nos preços
Montadoras chinesas planejam ampliar presença no Brasil. Sete novas marcas confirmaram entrada até 2028, entre elas quatro ligadas à Chery International, a Dongfeng (que usará a sigla DFM) e a IM, divisão de luxo da MG. A Chery International confirmou chegada das marcas iCAUR e Lepas em 2027, e de Luxeed e Freelander em 2028, com metas que incluem mais de 150 lojas e vendas superiores a 10 mil carros por mês em 2026, e expansão para mais de 1 mil lojas e 500 mil veículos por ano até 2031. A DFM informou ter 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários, com planos de atuação em 21 estados e no Distrito Federal.
Um estudo da Bright Consulting aponta que o preço médio real do carro zero km caiu 1,5% em 2026, descontada a inflação. Em termos nominais, o preço sugerido médio subiu 1,4%, para R$ 166,9 mil, enquanto a inflação acumulada foi de 3,18%. Analistas atribuíram a redução real dos preços principalmente ao aumento da competição trazida pelas montadoras chinesas. Mesmo assim, consultores ouvidos destacam que renda estagnada e juros altos do financiamento continuam dificultando o acesso de grande parte da população ao carro zero quilômetro.
Com informações de G1




