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quinta-feira, outubro 22, 2026

Inteligência artificial já reduz emprego entre jovens no Brasil, aponta estudo da FGV

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) mostra que a inteligência artificial já vem afetando emprego e renda de jovens no Brasil. Segundo a pesquisa, pessoas de 18 a 29 anos que trabalham em setores mais expostos à adoção da IA têm quase 5% menos probabilidade de conseguir emprego do que antes da disseminação das ferramentas generativas.

As áreas mais vulneráveis apontadas pelo estudo são serviços de informação, comunicação e setores financeiros. Esses segmentos, segundo o pesquisador-associado do Ibre Daniel Duque, concentram tarefas frequentemente atribuídas a trabalhadores mais jovens — como montar tabelas, elaborar gráficos e redigir resumos — atividades que podem ser automatizadas pela IA.

A análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do IBGE, indica que faixas etárias mais avançadas foram pouco ou nada afetadas: os grupos de 30 a 44 anos e de 45 a 59 anos apresentaram variações pequenas na empregabilidade. Duque ressalta que cargos sêniores envolvem maior responsabilidade e tomada de decisão, competências que, mesmo em setores expostos, são menos passíveis de substituição imediata pela tecnologia.

De acordo com o estudo, os impactos começaram a aparecer no ano seguinte ao surgimento da inteligência artificial generativa em massa, com o chatGPT no fim de 2022, e se intensificaram em 2024 e 2025 com o lançamento de outros modelos, como Claude e Gemini. O pesquisador observa que a adoção dessas ferramentas tem sido mais rápida do que a de tecnologias anteriores, como computadores e internet, o que acelera os efeitos sobre o mercado de trabalho.

Pesquisas internacionais também registram efeitos semelhantes. Em novembro de 2025, o Laboratório de Economia Digital de Stanford apontou que, em países desenvolvidos, o recrutamento de jovens desenvolvedores chegou a cair até 20% em alguns casos, com uma queda média de 16% na empregabilidade nos setores mais expostos. Um estudo do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) da França, publicado em março, relatou padrão parecido, com empresas transferindo parte das tarefas antes realizadas por juniores para sistemas de IA.

No Brasil, Duque alerta que a maior vulnerabilidade decorre, em parte, do baixo nível de qualificação da força de trabalho: para que o trabalho seja complementar à IA é necessário domínio da tecnologia. Organizações francesas, como a Associação Nacional de Recursos Humanos (ANDRH), já observaram redução no número de estagiários e incentivo ao uso intensivo da IA por funcionários, o que pode prejudicar a formação prática de futuras gerações de profissionais. A ampliação do acesso à tecnologia e a distribuição dos ganhos de produtividade são apontadas pelo pesquisador como desafios centrais para o mercado de trabalho nos próximos anos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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