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domingo, novembro 8, 2026

Inverno atípico e chuvas em julho ameaçam qualidade e exportação do café na safra 2026/2027

Chuvas fora do padrão registradas em julho nas principais áreas produtoras de café arábica do país, incluindo o interior de São Paulo e o Sul de Minas Gerais, podem comprometer a qualidade dos grãos e afetar a comercialização e exportação da safra 2026/2027. O alerta consta do boletim mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), vinculado à Universidade de São Paulo em Piracicaba.

O que aconteceu e quem é afetado

Segundo o Cepea, cerca de 30% da safra ainda não havia sido colhida quando ocorreram as precipitações atípicas. Grãos que já haviam sido derrubados durante a varrição permaneceram expostos às chuvas, tornando-se mais vulneráveis a perdas de qualidade. O instituto ressalta que a dimensão exata dos prejuízos só será conhecida à medida que os lotes forem provados, beneficiados e comercializados.

Como as chuvas atrapalham a colheita e o processamento

O período final da colheita costuma coincidir com o inverno, historicamente mais seco, o que facilita a varrição e a secagem dos grãos. Neste ano, porém, o clima apresentou padrão semelhante ao de um verão, com mais chuvas, e isso tem retardado os trabalhos no campo e dificultado a secagem adequada. Renato Garcia Ribeiro, responsável pela área de café no Cepea, explica que a umidade compromete o processo de secagem e, consequentemente, a qualidade do produto.

Impacto na comercialização e previsão de preços

O pesquisador do Cepea aponta que efeitos sobre preços e exportação só começarão a aparecer quando os produtores finalizarem a secagem e iniciarem a venda dos lotes — um processo que pode levar meses. Muitos produtores podem só ofertar parte da produção daqui a dois ou três meses, o que adia a confirmação de prejuízos em termos de volume e de valor de mercado.

O que muda na bebida

O barista e mestre de torra Júnior Damada, especialista em cafés de qualidade da Breathe Co, em Piracicaba, descreve como chuvas excessivas e secagem inadequada favorecem fermentações indesejadas. Essas condições permitem a ação de micro-organismos e enzimas que degradam carboidratos, produzindo notas sensoriais desagradáveis — como sabores acéticos (vinagre), fenólicos (semelhantes a remédio) e adstringência que “amarram” a boca.

Damada acrescenta que grãos afetados pela umidade costumam exigir ajustes na torra — mais intensidade, temperaturas mais altas e tempo maior no tambor — para reduzir compostos indesejáveis. A densidade e o tamanho dos grãos também podem variar com condições climáticas adversas, demandando alterações nas receitas de preparo em cafeterias e torrefações.

Sobre os cafés especiais, o barista lembra que esses lotes precisam estar livres de defeitos e apresentar doçura e complexidade sensorial para receber a classificação. Grãos prejudicados por umidade ou processamento inadequado perdem probabilidade de atingir esse padrão e podem ser reclassificados como Gourmet, Superior ou Tradicional.

Por fim, Damada observa que consumidores e profissionais conseguem perceber quando uma safra sofreu alterações ao longo do desenvolvimento ou do processamento. Apesar disso, destaca que toda a cadeia — produtores, torrefações, indústrias e cafeterias — busca adaptar-se para minimizar impactos negativos na bebida servida ao consumidor.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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