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segunda-feira, outubro 19, 2026

Países europeus redistribuem reservas de ouro por temores sobre acessibilidade nos EUA

Quem e o quê: Vários bancos centrais europeus estão realocando porções das reservas de ouro que mantinham nos Estados Unidos, citando risco de inacessibilidade em situações extremas e a necessidade de maior prontidão em crises. O Banco Central da Holanda (DNB) anunciou a transferência de cerca de 86 toneladas de ouro de Nova York para Londres.

Quando e onde: A operação do DNB ocorreu recentemente; a França, por sua vez, retirou sua reserva remanescente do Federal Reserve de Nova York entre julho de 2025 e janeiro de 2026. A Holanda optou por enviar parte de suas barras ao Banco da Inglaterra, enquanto outras discussões sobre realocação vêm ocorrendo em países como Alemanha e Itália.

Por que: As autoridades citam “instabilidade geopolítica” e a busca por maior capacidade de mobilizar ativos em curto prazo. Analistas destacam que, embora a apreensão direta de reservas por parte dos Estados Unidos seja considerada um risco remoto, existe apreensão sobre a possibilidade de que ativos guardados em outra jurisdição possam ficar temporariamente inacessíveis em cenários de sanções, disputas legais ou tensões diplomáticas.

O movimento de realocação ocorre num contexto em que bancos centrais têm aumentado compras de ouro desde 2008. Segundo Krishnan Gopaul, do Conselho Mundial do Ouro, a média anual de acumulação chegou a 1.000 toneladas nos últimos quatro anos, contra 500 toneladas na década anterior, refletindo maior atenção sobre onde e como o metal é armazenado.

Sebastien Tillett, da Oxford Economics, afirmou que a preocupação mais relevante não é a apreensão direta, mas a facilidade de acesso em momentos de crise. A lógica das mudanças enfatiza também a liquidez: o DNB escolheu Londres porque o mercado britânico é um dos mais líquidos para negociação de ouro, o que facilitaria mobilização em situações de estresse.

O Banco da Inglaterra é um dos maiores custodiante mundiais do metal, com estimativa de cerca de 400 mil barras avaliadas em aproximadamente 270 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,3 trilhão). Apesar das transferências recentes, os Estados Unidos — e especialmente o Federal Reserve de Nova York — ainda guardam grande parte do ouro europeu, notadamente o da Alemanha.

Autoridades e políticos na Alemanha e na Itália têm defendido publicamente a retirada de reservas dos EUA, apontando para a imprevisibilidade das políticas americanas e para episódios recentes de tensão entre Washington e a União Europeia. Observadores também citam declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia como elemento que ampliou a desconfiança.

Além das questões geopolíticas, há sinais de preocupação com o mercado financeiro americano: na semana passada, o gestor do fundo soberano da Noruega afirmou que é necessário reduzir substancialmente a exposição do fundo a títulos do Tesouro dos EUA, em razão de pressões sobre custos de financiamento no país.

Em comunicações anteriores, o Bundesbank (Banco Central da Alemanha) registrou que transferiu aproximadamente 300 toneladas de ouro dos EUA para a Alemanha entre 2013 e 2017, mas mantém mais de 1.000 toneladas em custódia no Federal Reserve de Nova York, afirmando confiar na instituição como depositária segura.

A sequência de transferências e o debate público sobre a localização das reservas sublinham a atenção crescente sobre a logística e a segurança do armazenamento de ouro, bem como a importância de manter ativos em centros financeiros com alta liquidez para uso rápido em eventuais crises.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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