O que aconteceu: Trabalhadores da Autotrans promoveram uma paralisação parcial na manhã de segunda-feira, 9 de março de 2026, em protesto contra o parcelamento dos salários. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Transporte Urbano de Passageiros de Uberlândia (SINTTRURB), aproximadamente 40% da frota da Autotrans saiu para operar. As concessionárias São Miguel e Sorriso de Minas mantiveram circulação normal, com 100% da frota em operação.
Quando e onde: A interrupção ocorreu em Uberlândia e teve efeito imediato em terminais e linhas atendidas pela Autotrans, com maior impacto na Região Sul e no Grande São Jorge. Passageiros relataram plataformas cheias em pontos como Santa Luzia, Novo Mundo e no Terminal Central.
Motivo e cronograma de pagamento
Por que: O sindicato informou que a empresa comunicou o parcelamento dos salários em três etapas: 50% na sexta-feira, 6 de março; 25% na segunda-feira, 9 de março; e os 25% restantes na terça-feira, 10 de março. A categoria decidiu manter a paralisação até o pagamento integral.
O presidente do SINTTRURB, Márcio Dúlio, afirmou que cerca de 40% da frota da Autotrans estava circulando e ressaltou que São Miguel e Sorriso operavam normalmente. Dúlio também registrou preocupação com compromissos futuros da empresa, como o pagamento do tíquete-alimentação e a entrega da cesta básica, que deve ocorrer até o décimo dia útil do mês.
Histórico e repercussões
Segundo o sindicato, havia histórico recente de atrasos: adiantamento salarial quitado com um dia de atraso, vale-alimentação pago fora do prazo e suspensão do plano de saúde por três dias em fevereiro. Em janeiro, já houve paralisação por atraso no vale-alimentação, quando a Prefeitura notificou as empresas para regularizar pagamentos e normalizar a circulação em até 24 horas, sob pena de sanções.
A Autrans reconheceu o parcelamento e atribuiu a medida à pressão de custos no setor, citando a alta de insumos, especialmente o diesel. A Settran, por sua vez, informou que a responsabilidade pelo pagamento de salários e encargos é das concessionárias, conforme os contratos de concessão, e que o descumprimento pode resultar em multas e processos sancionatórios.
Recursos públicos e números
Dados do Portal da Transparência apontam que, até 9 de março de 2026, a Prefeitura havia repassado R$ 10.824.952,47 à Autotrans, R$ 11.519.218,78 à Sorriso de Minas e R$ 8.675.208,79 à São Miguel. Em 2025, o total de subsídios ao sistema foi de R$ 155.049.249,09. Em julho de 2025, a tarifa ao usuário foi ajustada para R$ 5,70, enquanto a tarifa técnica média foi informada como R$ 9,40.
Relatórios apontam pagamentos vinculados à rubrica “Despesas de Exercícios Anteriores”, código 339092, o que levou a pedidos de esclarecimento sobre fluxo de repasses e execução orçamentária.
O que se espera agora: O sindicato exige pagamento integral dos salários e a normalização imediata da operação. A Prefeitura e as concessionárias ainda precisam prestar esclarecimentos sobre calendário de repasses e a situação financeira do sistema.
A cobertura registra que a paralisação desta segunda-feira destacou a sensibilidade do sistema integrado de transporte: a redução da frota de uma empresa repercute em terminais, baldeações e no planejamento diário de usuários que dependem do serviço.
Com informações de Vozdeuberlandia




