TRANSMISSÃO: Fox Sports
As pausas obrigatórias para hidratação na Copa do Mundo têm sido aproveitadas por emissoras como espaços adicionais de publicidade, elevando a receita dos detentores dos direitos e suscitando críticas de técnicos, jogadores e torcedores. Cada partida tem, em média, 4 minutos e 20 segundos de anúncios extras relacionados às pausas, totalizando 7 horas, 30 minutos e 40 segundos ao longo do torneio.
As paradas de três minutos no meio de cada tempo permitem às emissoras iniciar propagandas a partir de 20 segundos após o apito do árbitro e encerrar a transmissão de anúncios 30 segundos antes do reinício do jogo. Na prática, isso pode gerar até oito intervalos comerciais de 30 segundos por partida para cada emissora em cada país, o que representa 832 espaços publicitários ao longo da competição.
Especialistas consultados pela BBC Sport indicam que, nos Estados Unidos, um espaço médio de 30 segundos na transmissão da Fox Sports vale entre US$ 200 mil e US$ 300 mil (R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão), chegando a US$ 750 mil (R$ 3,8 milhões) em jogos da seleção americana e nas fases finais. Com esses valores, a receita apenas nos EUA pode superar US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão).
A Fifa afirma que as pausas foram implementadas por razões de bem-estar dos jogadores no calor da América do Norte e que devem ser usadas uniformemente em todas as partidas, mesmo em estádios climatizados. No entanto, as emissoras têm autonomia sobre como explorar comercialmente esses momentos: algumas exibem anúncios em tela cheia, outras optam por dividir a tela ou manter a transmissão do jogo.
A Fox Sports tem explorado ao máximo o tempo comercial e até conta com um patrocinador específico para sua transmissão da pausa. Além disso, a Coca-Cola, patrocinadora da Fifa, fornece bebidas de marca aos atletas durante o intervalo, o que cria camadas sobrepostas de exposição aos espectadores nos EUA.
Nem todas as emissoras adotaram essa prática. A Telemundo, que transmite partidas em espanhol nos Estados Unidos, decidiu não exibir anúncios nas pausas, defendendo que o público deve acompanhar a ação dos jogadores e não a “parte corporativa do futebol”.
Em outros mercados, como Brasil, México, Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, China, Japão, Índia, Austrália, Oriente Médio e África Subsaariana, transmissoras também estão usando os intervalos para publicidade, embora com valores e formatos variados. Estimativas apontam que, ampliando o cálculo globalmente, a receita com anúncios nas pausas pode alcançar cerca de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5,2 bilhões).
As pausas têm sido alvo de vaias em estádios e críticas por interromperem o ritmo das partidas; em um episódio da abertura, a Fox Sports chegou a perder o reinício do jogo entre México e África do Sul porque os anúncios ultrapassaram o tempo permitido. Analistas afirmam que o ganho financeiro torna improvável o fim dessa prática: a possibilidade de vender mais publicidade aumenta o valor dos contratos de transmissão, como no caso da Fox Sports, que adquiriu os direitos desta Copa por US$ 485 milhões (R$ 2,5 bilhões).
Competições e ligas com mercados mais maduros, como a Premier League e a Uefa, enfrentariam limitações regulatórias e reações dos torcedores caso adotassem pausas publicitárias semelhantes. A Uefa informou que não tem planos de alterar regulamentos sobre pausas para hidratação em competições futuras, incluindo a Champions League e a Eurocopa 2028.
Especialistas ouvidos destacam ainda que o perfil mais casual do público da Copa facilita a inserção desses intervalos comerciais, e que a adoção em edições futuras é provável, especialmente considerando que a Copa de 2030 ocorrerá em países cujos verões são muito quentes.
Com informações de G1




