Mercado reage a escalada no Oriente Médio; oferta e minas no Estreito de Ormuz preocupam
HORÁRIO: 10h45 (Brasília UTC-3)
Os preços do petróleo tiveram alta substancial nesta segunda-feira (1º) em reação a uma nova escalada de confrontos no Oriente Médio. Os mercados reagiram ao intercâmbio de ataques entre Irã e Estados Unidos e à determinação de Israel de avançar mais suas tropas no Líbano, na ofensiva contra o grupo Hezbollah, aliado de Teerã.
Por volta das 10h45 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 4,7, ou quase 5%, para US$ 95,65 por barril. Os futuros negociados nos Estados Unidos avançavam cerca de US$ 5, ou 5,77%, e eram cotados a US$ 92,36 por barril.
As valorizações ocorreram depois de fortes perdas em maio: o Brent registrou queda de cerca de 19% no mês, e o WTI caiu cerca de 17% — ambos os contratos tiveram a maior queda mensal em termos absolutos desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 reduziu a demanda por energia.
Especialistas e autoridades apontaram que os combates recentes reduziram as expectativas de que Estados Unidos e Irã pudessem anunciar em breve a extensão de um cessar-fogo. Washington havia sediado negociações de paz entre Israel e Líbano na sexta-feira (29), e o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na mesma sexta que em breve tomaria uma decisão sobre um acordo proposto para estender o cessar-fogo anunciado no início de abril.
Uma autoridade dos EUA declarou no domingo que o país propôs um plano de “redução gradual da escalada”. No entanto, o Irã tem defendido que o Hezbollah e o Líbano sejam incluídos em qualquer entendimento, e a retomada dos combates complicou as negociações.
Analistas destacaram também preocupações com minas no Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo e gás. Tony Sycamore, analista do IG, afirmou que, mesmo com um eventual acordo, não haveria uma rápida retomada dos suprimentos. Relatos publicados indicaram que o Irã teria lançado mais minas no estreito no início da semana passada, segundo um repórter da Axios.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que o atraso no processo diplomático para encerrar a guerra pode ser explicado pela falta de confiança, por posições contraditórias de Washington e por ataques de Israel ao Líbano.
As preocupações relacionadas à oferta de petróleo sobrepujaram dados econômicos da China divulgados no fim de semana, que apontaram estagnação da atividade fabril e aumentaram temores sobre a demanda da segunda maior economia do mundo.
Pesquisa da Reuters indica que a Arábia Saudita deve reduzir seus preços oficiais de venda (OSPs) de petróleo bruto para a Ásia em julho pelo segundo mês consecutivo. O Goldman Sachs afirmou no domingo que a fraca demanda na China e na Europa representa um risco de baixa para sua previsão do Brent para o quarto trimestre em US$ 90 por barril e do WTI em US$ 83, embora interrupções no fornecimento no Oriente Médio possam ainda elevar os preços.
A notícia segue sem desdobramentos imediatos sobre um acordo diplomático ou sobre mudanças concretas na oferta global de petróleo.
Com informações de G1




