Setor projeta menor oferta em meio a obstáculos no comércio internacional
A produção brasileira de carne bovina deve cair em 2026, segundo avaliação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), afetada por um cenário internacional adverso marcado por tarifas, barreiras comerciais e incertezas de mercado. A estimativa foi apresentada pelo presidente da entidade, Roberto Perosa, durante evento do setor em São Paulo nesta quarta-feira (5).
De acordo com a Abiec, a produção prevista para 2026 envolverá cerca de 40 milhões de cabeças de gado, número inferior às aproximadamente 42 milhões registradas no ano anterior. Perosa apontou que fatores externos têm criado novos entraves para toda a cadeia produtiva, com impacto direto nas exportações brasileiras.
No evento — a Exposição Internacional de Proteína Animal — o dirigente ressaltou que o ambiente global está dificultando as vendas externas em razão de um conjunto de elementos, entre eles tensões geopolíticas, cenários econômicos fragilizados, além da adoção de tarifas, cotas e salvaguardas por países parceiros.
Entre os desafios específicos apontados pelo setor estão a queda expressiva nos embarques para a China e a incerteza sobre o acesso ao mercado da União Europeia. As preocupações com a UE estão relacionadas a restrições impostas a determinadas substâncias antimicrobianas utilizadas em animais destinados à produção de alimentos, o que pode afetar os negócios com aquele bloco.
A Abiec e seu presidente destacaram ainda que medidas comerciais unilaterais e mudanças nas regras sanitárias e fitossanitárias aumentam a complexidade para exportadores brasileiros, pressionando tanto volumes quanto previsibilidade de vendas no exterior.
As declarações foram feitas diante de representantes do setor que acompanham a evolução das exportações e do cenário regulatório internacional, enquanto a associação monitora os efeitos dessas barreiras sobre a produção e os embarques previstos para o próximo ano.
O setor aguarda desdobramentos nas negociações e ajustes regulatórios que possam reduzir os riscos e recuperar parte dos mercados tradicionais.
Com informações de G1




