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segunda-feira, setembro 14, 2026

STF abre apuração sobre emendas ligadas ao filme “Dark Horse” e The Intercept aponta Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo

Nesta sexta-feira (15), o caso envolvendo a cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou novos desdobramentos. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de investigação preliminar para apurar o envio de emendas parlamentares a ONGs vinculadas à produtora do longa. No mesmo dia, o site The Intercept Brasil publicou reportagens que apontam o deputado cassado Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo da obra e indicam suposto financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.

Na quinta-feira (14), o The Intercept divulgou áudios em que o deputado Flávio Bolsonaro teria pedido recursos a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a realização do filme. Documentos citados pelo veículo apontam negociação de repasse de 24 milhões de dólares — equivalente, na época, a cerca de R$ 134 milhões — para financiar a produção, dos quais aproximadamente 10,6 milhões de dólares (R$ 61 milhões) teriam sido efetivamente transferidos. Um dos áudios mostraria Flávio cobrando por novos repasses.

A Polícia Federal investiga se parte desses valores foi usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado nega ter recebido quantias relacionadas ao filme. Segundo o The Intercept, parcela do montante teria sido destinada a um fundo controlado por aliados de Eduardo, incluindo o advogado Paulo Calixto, responsável por seu processo imigratório nos EUA.

Eduardo Bolsonaro: atribuições financeiras e contrapartidas

Documentos e mensagens obtidos pelo The Intercept indicam que Eduardo Bolsonaro teria atuado como produtor-executivo de “Dark Horse”, com responsabilidades sobre a gestão financeira e estratégica do projeto. Um contrato de novembro de 2023, assinado digitalmente em janeiro de 2024, nomeia a empresa GoUp Entertainment como produtora e lista Eduardo e o deputado Mário Frias como produtores-executivos.

De acordo com o material publicado, as funções atribuídas aos produtores-executivos incluíam captação de recursos, preparação de materiais para investidores, busca de incentivos fiscais, negociação de patrocínios e decisões sobre orçamento e financiamento. Mensagens mostram Eduardo orientando a forma de envio de recursos a partir dos Estados Unidos, sugerindo manter os valores em território norte-americano para evitar dificuldades com transferências internacionais.

Uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024, também mencionada pela reportagem, chegava a qualificar Eduardo como financiador do longa e autorizava o uso de recursos investidos por ele, embora não haja confirmação de assinatura final desse aditivo. A GoUp Entertainment é ligada a Karina Ferreira da Gama e ao empresário Michael Brian Davis; Karina tem ligação com o Instituto Conhecer Brasil, entidade que recebeu mais de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo e é alvo de investigação do Ministério Público.

Resposta de Eduardo Bolsonaro

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta, Eduardo Bolsonaro rejeitou as alegações e afirmou que as reportagens visam “assassinar reputações”. Declarou ter investido cerca de US$ 50 mil, provenientes da venda de um curso chamado “Ação Conservadora”, para contratar um diretor em Hollywood e desenvolver o roteiro enquanto buscavam investidores. Segundo ele, atuou inicialmente como diretor executivo por arcar com o risco financeiro no começo do projeto, mas perdeu a função após a entrada de investidores e afirma ter recebido apenas o reembolso do valor inicialmente aportado.

Eduardo ainda afirmou que a produção foi estruturada fora do Brasil por receio de perseguições políticas e citou episódios envolvendo a Brasil Paralelo como justificativa para evitar censura. Negou ter recebido recursos do fundo de investimentos criado para financiar o filme.

Trâmite no STF e investigação sobre emendas

O procedimento aberto por Flávio Dino tramita sob sigilo e atende a pedidos de providências apresentados pela deputada Tabata Amaral e pelo deputado Pastor Henrique Vieira. Eles questionaram o envio de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora GoUp Entertainment, entre elas o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura.

As denúncias apontam que os deputados Marcos Pollon, Mário Frias e Bia Kicis destinaram emendas a essas organizações. Após receber os pedidos, Dino ordenou notificação dos parlamentares para esclarecer a destinação dos recursos. Pollon e Bia Kicis negaram ter enviado verbas diretamente à produtora. Mário Frias, que teria destinado R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil entre 2024 e 2025, não foi localizado pelo oficial de Justiça, e o ministro determinou que a Câmara dos Deputados informe seus endereços residenciais em São Paulo e em Brasília.

O caso permanece em apuração, com procedimentos em andamento no STF e investigação da Polícia Federal sobre a origem e o destino dos repasses relacionados à produção.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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