O jornalista Vinícius Lemos reassistiu a adaptação do jogo Street Fighter, lançada em 1994, agora disponível na Netflix, e relatou sua experiência ao comparar as impressões da infância com a visão adulta. Lemos recorda que tinha 10 anos quando viu o filme pela primeira vez, em uma sessão lotada no antigo Cine Center de Uberlândia, acompanhado da mãe e de primos, sentado na escada da sala.
Ao rever a produção 32 anos depois, o autor afirma que o entretenimento da infância não se sustenta. Segundo Lemos, Street Fighter – A Batalha Final é uma obra de tom simplista, com um vilão de perfil exagerado e um protagonista que não convence. O ator Raul Julia, no papel de M. Bison, é apontado como o único ponto positivo do longa. Trata-se do último filme gravado por Julia, que faleceu em 1994 devido a um câncer; ele teria aceitato o papel para deixar uma lembrança cinematográfica para dois de seus filhos, fãs do jogo.
De acordo com o texto, a encenação de Raul Julia abraça o tom carnavalesco do personagem, adotando uma caricatura leve que ameniza as falhas do restante do filme. Em contrapartida, Lemos descreve a atuação de Jean-Claude Van Damme como displicente, atribuída à época a problemas com cocaína que teriam complicado as filmagens.
O repórter também critica a direção de arte, os efeitos das cenas de ação e os diálogos, classificando muitos momentos como humor involuntário. Ele cita exemplos de decisões de escalação e caracterização que destoam do material original: o lutador E. Honda foi interpretado pelo ator samoano-americano Peter Navy Tuiasosopo, Ken e Ryu foram transformados em golpistas, Blanka recebeu maquiagem de aspecto amador e Dhalsim deixou de ser retratado como monge com poderes psíquicos para aparecer como um cientista.
Lemos aponta que o filme tenta remeter a golpes famosos dos jogos, mas evita extrapolar para além do realismo, o que fragiliza as cenas de ação diante do universo mais absurdo das franquias. O autor observa também a presença de personagens destinados ao alívio cômico, como Dee Jay e Zangief, e afirma que a obra alterna entre humor proposital e cenas que acabam sendo risíveis por falhas de produção.
Ao final, o jornalista admite que a revisão do filme rendeu mais risos do que incômodo, mas mantém uma avaliação crítica sobre a falta de fidelidade e a qualidade técnica da adaptação.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
Com informações de Paranaibamais




