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terça-feira, outubro 13, 2026

Tarifaço de Trump reduz vendas de empresas brasileiras e força busca por novos mercados

Impacto imediato nas vendas

Empresas brasileiras relataram redução expressiva nas vendas para os Estados Unidos em 2026 após o aumento de tarifas implementado pela administração do presidente Donald Trump. Em setores como manufatura, casos de queda de 60% nas exportações foram registrados, e há relatos de demanda zerada para alguns fornecedores.

João Baroni, diretor-geral da Engemasa, afirmou que “o mercado americano representava 40% do faturamento em 2025 e este ano [2026] representa zero”, apontando ainda que clientes têm reclamado da imprevisibilidade nas compras de equipamentos, o que prejudica um mercado que levou décadas para ser construído.

Na Utilinox, que fornece máquinas e equipamentos industriais, o diretor José Neto relatou queda de até 60% nas vendas para os EUA. Segundo ele, o aumento tarifário começou no início do ano com a alíquota de 50% sobre aço e alumínio prevista na Seção 232.

Negociações e reação do governo

O governo brasileiro agendou uma reunião com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, marcada para a segunda (31), com o objetivo de tratar das tarifas. Autoridades ressaltaram que o encontro representa a retomada do diálogo, mas não trouxe decisões imediatas.

Para mitigar os efeitos, o governo ampliou medidas de apoio: o programa Brasil Soberano está na terceira etapa e prevê R$ 22,6 bilhões para ajudar empresas; a ApexBrasil destinou R$ 210 milhões a 35 setores para estudos de mercado e ações de diversificação; e houve expansão de instrumentos como o Seguro de Crédito à Exportação (SCE) e do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), que recebeu R$ 2,2 bilhões para financiamento e R$ 1,28 bilhão para equalização em 2026. Também foram prorrogados prazos do regime de drawback para setores afetados.

Alternativas e desafios para realocação

Especialistas e empresários defendem a diversificação de mercados como resposta imediata. João Dmitruk, da ABIMAQ, afirmou que redirecionar vendas para outros países pode funcionar como uma solução temporária, especialmente para companhias com menor grau de internacionalização e menor caixa.

Dados da ApexBrasil indicam que cerca de 72% das 2,4 mil empresas atendidas e que vendem aos EUA já passaram a operar em pelo menos um destino adicional. A agência aponta alternativas que incluem países da América Latina, Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, e empresários como José Neto relatam iniciativas para desenvolver fornecedores na Ásia e ativar linhas de produção voltadas a esses mercados.

Limites da diversificação e necessidade de recuperação industrial

Embora ampliar destinos ajude a reduzir riscos, especialistas alertam que não resolve a perda estrutural de competitividade da indústria brasileira. Higor Borges e Marcelo Vitali destacam que é necessário investir em inovação e desenvolvimento industrial para recuperar participação da indústria na economia, que segundo a CNI caiu de 35,9% do PIB em 1985 para 13,7% em 2025. No ranking de complexidade econômica, o Brasil recuou da 29ª posição em 1995 para a 78ª em 2024.

Analistas lembram que os Estados Unidos são um comprador difícil de substituir devido ao tamanho da economia, ao nível de renda e ao papel nas cadeias globais. Produtos industriais, muitas vezes integrados a cadeias específicas e vendidos business-to-business, exigem adaptações técnicas e relacionamento comercial para encontrar novos compradores, segundo William Castro Alves e Marcelo Vitali.

Enquanto empresas tentam abrir novos mercados e o governo oferece linhas de crédito e programas de apoio, empresários afirmam que a recuperação será gradual e dependerá de medidas que preservem a capacidade competitiva da indústria brasileira.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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