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terça-feira, outubro 13, 2026

Varejo responde por 9,4% do PIB, mas perdas e importações crescentes pressionam setor

Quem e o que: O varejo brasileiro produziu 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 630 bilhões, mas apresenta sinais de enfraquecimento nas vendas e no emprego, aponta o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

Dados macroeconômicos: Do total de R$ 6,7 trilhões que compuseram o PIB no período, o varejo supera em importância a agropecuária, sendo 44% maior, e representa 83% do valor gerado pela indústria de transformação. Apesar disso, o ritmo de expansão do comércio varejista ampliado vem desacelerando: crescimento nominal anual estimado em 3,5% em julho de 2024, 1,8% em julho de 2025 e 1,2% em julho de 2026.

Indicadores de vendas: O IDV, responsável pelo Índice Antecedentes de Vendas (IAV), informa que as maiores redes de varejo registraram vendas reais negativas nos últimos 20 meses. Em julho de 2026, as vendas totais ajustadas pelo IPCA caíram 2,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e as projeções para os meses subsequentes permanecem desfavoráveis.

Causas apontadas: Entre os fatores citados para o desempenho fraco estão juros elevados, endividamento e inadimplência de consumidores e empresas, além da transferência de recursos para plataformas de apostas. Outra mudança relevante foi a Medida Provisória 1.357, de 12 de maio de 2026, que zerou o Imposto de Importação em aquisições por plataformas eletrônicas (cross border) até US$ 50,00; a MP foi convertida na Lei 15.502, de 10 de setembro de 2026, mantendo a alíquota de 0% para esse limite.

Impacto do cross border: A eliminação do imposto para compras até US$ 50 provocou aumento no fluxo de remessas ao país: 13,5 milhões de pacotes/mês em outubro de 2024; média de cerca de 14 milhões em 2025; salto para 20 milhões/mês em maio de 2026; e média de 28 milhões em junho e julho de 2026. O crescimento nas importações tem deslocado receitas do mercado doméstico para países exportadores.

Emprego: O comércio varejista registrou redução de vagas formais: 7.171.382 empregos em dezembro de 2025 para 7.119.607 em julho de 2026 — queda de 51.775 postos. O segmento de artigos do vestuário e acessórios foi o mais afetado, com perda de 31.069 empregos, impactado diretamente pela concorrência do cross border.

Próximos passos previstos na lei: A Lei 15.502/26 determina que o Ministério da Fazenda promova a primeira avaliação dos efeitos econômicos da norma no prazo de três meses, estabelecendo 10 de dezembro de 2026 como data-limite para esse relatório.

Até a conclusão dessa avaliação, o varejo opera em um cenário adverso e busca manter a atividade diante das mudanças na concorrência e na tributação.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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