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terça-feira, outubro 27, 2026

Vinhos soterrados nas enchentes do RS viram edição especial; produtores celebram recuperação

Produtores da Serra Gaúcha comemoram safra após perdas causadas por enchentes

Após enfrentar a maior catástrofe ambiental da história do Rio Grande do Sul em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha registraram neste ano uma safra considerada emblemática, com produção total de 905 mil toneladas de uvas de mesa e para a indústria, segundo dados da Emater-RS. A recuperação, segundo agricultores ouvidos, resultou tanto do clima mais favorável quanto do aumento de investimentos em tecnologia.

Entre as histórias de retomada está a da família Argenta, de Barão (RS). A propriedade do produtor Arnaldo Argenta sofreu transbordamentos e enchentes por três anos seguidos, entre 2023 e 2025. Em maio de 2024, a família perdeu toda a produção que estava em fermentação e teve máquinas cobertas pela lama. O prejuízo acumulado ao longo desses três anos foi de R$ 1,5 milhão.

Como forma de transformar a tragédia em símbolo de resistência, a família Argenta recuperou e limpou 180 garrafas que haviam sido soterradas e as comercializou como a “Edição Inundação”. As embalagens trazem um poema sobre a força da terra e da água. Arnaldo afirma: “A gente vai levar cinco anos para voltar ao estágio em que estávamos, mas a gente tem muita resiliência e vai conseguir”.

Tecnologia e pesquisas para reduzir riscos climáticos

Para reduzir os impactos das variações climáticas, produtores têm adotado o sistema de cultivo coberto, técnica que protege os frutos da chuva, possibilita irrigação direta ao solo e diminui em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas. O investimento, no entanto, é elevado: a implantação pode chegar a R$ 450 mil por hectare.

Além da proteção física, pesquisas com novas variedades ocupam papel central nas estratégias de adaptação. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra mantém uma área experimental com 50 variedades de uvas de origem europeia, incluindo a Palava, originária da República Tcheca. Por ser precoce, essa variedade ajuda a escalonar a colheita e o processamento industrial, reduzindo a pressa nos períodos de maior demanda.

Tradição e continuidade

A viticultura na Serra Gaúcha remonta à chegada de imigrantes italianos em 1875. Hoje, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no estado, e aproximadamente 90% da produção está concentrada na região serrana. Para muitos produtores, como João Paulo, a atividade é também um legado familiar: apesar de trabalhar na cidade, ele retorna anualmente para a colheita para manter a tradição da quinta geração. “A viticultura não é só uma fonte de renda, é um legado. Passa de pai para filho”, diz.

O conjunto dessas ações — adoção de tecnologias, pesquisa genética e manutenção das práticas familiares — tem sido apontado pelos produtores como caminho para a recuperação da cadeia produtiva após as perdas das últimas safras.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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