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sexta-feira, setembro 11, 2026

Violência sexual na internet atinge 1 em cada 5 adolescentes no Brasil

Um em cada cinco adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos foi vítima de violência sexual em ambiente digital ao longo de um ano, aponta o relatório Disrupting Harm in Brazil, divulgado pelo Unicef em parceria com a ECPAT International e a Interpol, com financiamento da Safe Online. O índice corresponde a cerca de 3 milhões de meninas e meninos no país.

O estudo ouviu mais de 1.000 adolescentes e o mesmo número de pais ou responsáveis em todas as regiões do Brasil e avaliou situações em que tecnologias digitais foram usadas para aliciar, extorquir, produzir, guardar ou difundir material de abuso. Foram considerados episódios ocorridos apenas online e casos que combinaram contatos virtuais com encontros presenciais.

Formas de violência e números

A exposição a conteúdo sexual sem consentimento foi a ocorrência mais relatada, registrada por 14% dos entrevistados. Outros tipos de agressão digital incluíram pedidos para envio de imagens íntimas (9%), ofertas de dinheiro ou presentes em troca de material sexual (5%) e ameaças de divulgação de fotos ou vídeos (4%). A manipulação de imagens por meio de inteligência artificial atingiu 3% dos jovens no período analisado.

Onde e como começam as abordagens

Em 66% dos relatos, os episódios aconteceram exclusivamente em ambientes digitais. Redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos foram apontados como os principais meios de contato, com Instagram e WhatsApp entre as ferramentas mais citadas. Segundo o relatório, agressões frequentemente iniciam a partir de perfis públicos, conversas aparentemente inofensivas e a construção gradual de confiança, que depois se desloca para espaços privados com aumento das exigências do agressor.

O autor da violência não é sempre um desconhecido: em 49% dos casos, tratava‑se de alguém do convívio do adolescente, como amigo, namorado, familiar ou pretendente. Nesses casos, mais da metade das primeiras abordagens ocorreram online, mas houve registros de contatos iniciais na escola e até dentro de casa.

Silêncio e desconhecimento

Um terço dos adolescentes que sofreram violência sexual na internet não contou a ninguém sobre o episódio. Muitos relataram não saber a quem recorrer ou demonstraram vergonha, medo de não ser acreditados ou receio de retaliações. O levantamento mostra ainda que 15% das vítimas desconheciam que as situações configuravam crime e 12% consideraram que o episódio não era grave o suficiente para denúncia.

Entre os que procuraram alguém para relatar o ocorrido, 24% buscaram um amigo; 12% contaram à mãe ou a outra mulher cuidadora; e 9% falaram com o pai ou com um homem em posição semelhante.

Consequências e fatores de risco

O relatório destaca impactos na saúde mental, no rendimento escolar e no bem‑estar emocional. Adolescentes vítimas apresentaram níveis mais altos de ansiedade e risco aumentado de comportamentos autolesivos; segundo o estudo, há mais de cinco vezes maior probabilidade de automutilação ou de pensamentos e tentativas de suicídio entre os atingidos. O acesso quase irrestrito à internet também amplia a exposição: quase metade dos entrevistados disse poder usar a rede a qualquer momento, e 37% afirmaram ter sido expostos acidentalmente a conteúdo sexual, principalmente por posts e anúncios em redes sociais.

Recomendações

O documento recomenda ações coordenadas entre poder público, escolas, famílias, empresas de tecnologia e sociedade civil. Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, padronização de protocolos de atendimento, atualização de leis frente às novas tecnologias, inclusão de educação sobre consentimento e proteção digital nos currículos escolares, capacitação de profissionais, diálogo familiar e ampliação de mecanismos de segurança e cooperação por parte de plataformas digitais. Especialistas envolvidos no estudo ressaltam que só com informação, acolhimento e responsabilização efetiva será possível proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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