O South Summit Brazil, que terminou na última sexta-feira (27) em Porto Alegre, foi alvo de críticas por sua organização e abordagem, segundo o colunista Cristóvão Feil. Em texto publicado no Uberlandianofoco, o autor descreve o evento como marcado por uma “jequice constrangedora” e questiona a visão dos organizadores sobre como inserir a cidade no circuito internacional de tecnologia.
Feil afirma que os promotores apostam em feiras, eventos comerciais e material em inglês para promover uma suposta integração ao mercado global, sem considerar realidades locais e o envolvimento do Estado em avanços tecnológicos. O colunista lembra que Porto Alegre abriga a Ceitec, unidade industrial de semicondutores considerada uma das principais da América Latina, e destaca que a fábrica, estatal federal, passou anos inativa antes de ser reativada pelo governo Lula.
Segundo o texto, a paralisação da Ceitec ocorreu por conta do que o autor atribui a “descaso do governo Temer” e “ignorância do governo Bolsonaro”, críticas que, na avaliação do colunista, foram ignoradas pelos organizadores e participantes do evento. Feil aponta ainda que o debate sobre inovação e novas tecnologias no encontro deixou de fora o papel crucial do Estado na formação de capacidades tecnológicas.
O colunista cita a obra da economista Mariana Mazzucato, O Estado empreendedor, para sustentar a ideia de que intervenções públicas foram determinantes em várias revoluções tecnológicas. Feil menciona, como exemplos, tecnologias desenvolvidas com apoio estatal em vários países: internet, GPS, telas sensíveis ao toque, disco rígido, microprocessadores, semicondutores, baterias de lítio, telas LCD e outras tecnologias de comunicação, além da observação de que a China lançou um satélite com tecnologia quântica. Também é citado o exemplo da Apple como produto de combinações entre iniciativa privada e investimentos públicos em pesquisa.
E a reforma do cais do porto?
O texto também critica a relação entre os organizadores — uma empresa espanhola que realiza edições do evento em outros países — e os governos local e estadual. Feil afirma que a iniciativa contou com recursos públicos do estado do Rio Grande do Sul e da prefeitura de Porto Alegre, enquanto os ingressos chegaram a custar pelo menos mil reais, segundo o colunista.
De acordo com a peça, a empreendedora estrangeira arrecadou lucros significativos, ao passo que o espaço no cais do porto recebeu apenas intervenções temporárias e voltou a apresentar sinais de deterioração, sujeira e presença de morcegos. O autor critica ainda que autoridades locais, citadas como “Leitinho” e “o homem do chapéu de palha chamado Sebastião”, não teriam exigido dos promotores uma contrapartida que incluísse a reforma dos galpões do cais.
O texto é assinado por Cristóvão Feil, sociólogo, e é apresentado como artigo de opinião.
Com informações de Uberlandianofoco




