Transmissão: Record
Há dez anos, em 23/05/2016, foi inaugurado o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, instalado no quilômetro 11,5 da Rodovia dos Imigrantes, na Vila Guarani, zona sul de São Paulo. A obra, realizada ao longo de dois anos e meio, transformou o espaço que antes abrigava uma unidade da antiga Febem em uma das principais estruturas esportivas do país.
O complexo ocupa 95 metros quadrados e teve investimento total de R$ 305 milhões, dos quais R$ 187 milhões foram aportados pelo Ministério do Esporte e o restante pelo governo de São Paulo. Desde a abertura, a instalação passou a concentrar modalidades paralímpicas que antes utilizavam locais compartilhados ou com horários restritos.
O Centro oferece infraestrutura para tênis em cadeira de rodas, basquete em cadeira de rodas, vôlei sentado, goalball, futebol de cegos e futebol para pessoas com paralisia cerebral, além de uma arena multiuso. Há ainda áreas destinadas à esgrima em cadeira de rodas, judô, taekwondo, bocha e tênis de mesa, piscinas olímpica e semiolímpica, pistas de atletismo interna e externa e um residencial com capacidade para cerca de 300 pessoas.
Em 2017, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) venceu licitação para gerir o CT por cinco anos; em 2024 o contrato foi renovado por mais 35 anos. Com a gestão do CPB, o centro administrativo do comitê foi transferido de Brasília para São Paulo.
Funcionários que acompanham o centro desde a inauguração destacam a mudança na rotina dos atletas. Viviane Monteiro, do setor de faturamento, que é deficiente auditiva, contou ter conhecido o projeto pela internet e sido contratada na época da inauguração. Ela permanece na função cuidando de passagens e hospedagens das delegações em competições.
Resultados e formação
O CT teve papel direto na evolução do desempenho brasileiro em competições internacionais. Na Paralimpíada de Tóquio (2021), quando atletas contaram com a estrutura durante todo o ciclo, o Brasil repetiu as 72 medalhas obtidas em 2016, alcançando 22 ouros — oito a mais que na edição anterior. Em Paris (2024), o país conquistou 25 ouros e 88 pódios, alcançando pela primeira vez o top-5 no quadro de medalhas, após ficar em oitavo no Rio de Janeiro e sétimo em 2021.
O CT também abriga a Escola Paralímpica de Esportes, iniciativa gratuita iniciada em 2018 para jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual e intelectual. Projetos de formação revelaram atletas como Alessandra Oliveira, campeã mundial dos 100 m peito da classe SB4 em Singapura, em 2025; e João Pedro Santos, que integrou a Escolinha em 2019 e conquistou três medalhas — duas de ouro — nos 100 m e 400 m da classe T11 no Parapan-Americano de Jovens em Bogotá.
Desde a inauguração já foram realizados mais de 2,2 mil eventos no local, incluindo o Parapan de Jovens em 2017, o Mundial sub-23 de basquete em cadeira de rodas e o Festival Paralímpico. O CT receberá o Mundial de rugby em cadeira de rodas entre 15 e 24 de agosto de 2026, segundo a programação das entidades organizadoras.
Responsáveis pela gestão e por programas de tecnologia esportiva afirmam que avanços aplicados aos treinos, como próteses e componentes específicos, beneficiam não só o alto rendimento mas também a comunidade de pessoas com deficiência.
Com informações de Agência Brasil




