29.6 C
Uberlândia
terça-feira, outubro 13, 2026

Água torna-se alvo potencial em escalada de ataques no Oriente Médio

Usinas de dessalinização sofrem ataques e elevam risco de crise hídrica

Uma usina de dessalinização no Bahrein foi danificada em 8 de março de 2026 por um ataque de drone atribuído ao Irã, segundo autoridades locais. O incidente ocorreu um dia depois de Teerã acusar o Bahrein de promover uma ofensiva na ilha de Qeshm, no Irã, que teria afetado o abastecimento de água em 30 vilarejos.

Especialistas ouvidos pela AFP alertam que, embora ataques a infraestrutura hídrica ainda sejam raros em cenários de guerra, eles têm ocorrido no atual conflito no Oriente Médio, com bombardeios a usinas de dessalinização — instalações vitais para o abastecimento de milhões de pessoas na região. “Quem se atrever a atacar a água desencadeará uma guerra muito mais devastadora do que a atual”, disse a economista especializada em recursos hídricos Esther Crauser-Delbourg à agência.

Em uma região entre as mais secas do planeta, as usinas de dessalinização têm papel central na economia e no fornecimento de água potável. Um estudo publicado na revista Nature aponta que cerca de 42% da capacidade mundial de dessalinização concentra-se no Oriente Médio. Relatório de 2022 do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri) indica que, nos Emirados Árabes Unidos, 42% da água potável vem dessas usinas; na Arábia Saudita esse percentual alcança 70%; em Omã, 86%; e no Kuwait, 90%.

Analistas citam o exemplo de grandes cidades como Dubai e Riade, onde a dessalinização é essencial. Um documento da CIA de 2010 avaliou que a paralisação dessas instalações poderia provocar consequências mais sérias do que a perda de outras indústrias. Em 2008, um telegrama diplomático divulgado pelo WikiLeaks afirmou que “Riade deveria ser evacuada em uma semana” caso a usina de dessalinização de Jubail ou seus oleodutos fossem seriamente danificados.

Além de ataques diretos, as usinas enfrentam vulnerabilidades como cortes de energia e contaminação do mar, por exemplo, por vazamentos de petróleo, segundo especialistas consultados pela AFP. Philippe Bourdeaux, diretor para África/Oriente Médio da empresa francesa Veolia, afirmou que “a segurança e os controles de acesso no perímetro imediato das usinas foram reforçados” e que os eventos recentes elevaram o nível de vigilância nas instalações.

Bourdeaux acrescentou que, em alguns países, autoridades chegaram a posicionar baterias de mísseis ao redor das maiores usinas para se proteger contra drones ou mísseis. Ele também apontou que os operadores dispõem de ferramentas para mitigar vazamentos de óleo e que muitas usinas são interconectadas, além de manterem reservas de água suficientes para um período que varia de dois a sete dias, o que pode limitar impactos caso a interrupção seja breve.

Na última década houve precedentes de ataques a instalações de dessalinização: o Iêmen e a Arábia Saudita se atacaram mutuamente, e Gaza sofreu bombardeios israelenses, segundo o Pacific Institute, think-tank que monitora conflitos relacionados à água. Antes de 2016, ataques semelhantes remontam à Guerra do Golfo de 1991.

As consequências de danos prolongados a essas estruturas podem variar de transtornos locais a crises mais graves, com racionamento de água e deslocamento de população, além de impactos sobre setores como turismo, indústria e centros de dados, que dependem de grandes volumes de água para refrigeração.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também