Mercado reage a declarações americanas e preços recuam após pico
TRANSMISSÃO: Record
HORÁRIO: 9h50 (Brasília UTC-3)
O preço do petróleo voltou a cair nesta sexta-feira (20) depois de movimentos e declarações da Casa Branca que indicaram medidas destinadas a amenizar a crise de energia provocada por ataques a infraestruturas no Oriente Médio. Na véspera, o barril do Brent chegou a alcançar US$ 119, caiu para cerca de US$ 107 ao longo do dia e encerrou o pregão com alta de 1,18%, a US$ 108,65.
Por volta das 9h50 (horário de Brasília), a referência Brent era negociada a US$ 107,42, recuo de 1,13% em relação ao fechamento anterior, segundo registros do mercado. O gás natural na Europa, que chegou a registrar alta de 35% durante a escalada da tensão, operava praticamente estável, com leve alta de 0,08%.
As quedas ocorreram após declarações de autoridades dos Estados Unidos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Washington estuda a possibilidade de suspender sanções ao petróleo iraniano e liberar volumes adicionais das reservas estratégicas. O presidente Donald Trump descartou o envio de tropas terrestres à região e voltou a afirmar que o conflito pode ser curto.
Um comunicado conjunto de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão também contribuiu para aliviar as pressões sobre os preços ao manifestar apoio a iniciativas para proteger a navegação no Estreito de Ormuz. A nota declarou prontidão para participar de esforços que garantam passagem segura na rota, embora não detalhe como será a atuação dessas nações no local.
Na quinta-feira (19), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, havia criticado aliados europeus por relutarem em enviar embarcações para escolta naquele ponto estratégico, classificando-os como “ingratos”.
A Agência Internacional de Energia (IEA) recomendou medidas para reduzir o consumo de combustíveis, como estímulo ao trabalho remoto e menor uso do transporte aéreo, diante dos riscos de oferta. Em 11 de março, os 32 países-membros concordaram em liberar 400 milhões de barris de suas reservas de emergência — a maior liberação já realizada pelo grupo, superando o recorde anterior de 182,7 milhões de barris, registrado após a invasão da Ucrânia em 2022.
Governo e autoridades de vários países também adotar medidas locais para atenuar os efeitos: o Vietnã passou a incentivar o uso de gasolina com etanol, enquanto a Espanha anunciou redução de impostos sobre combustíveis. Nos EUA, o secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que, se as sanções ao petróleo iraniano forem suspensas, o combustível poderia chegar a portos asiáticos em três a quatro dias, ampliando rapidamente a oferta.
No Brasil, o diesel acumula alta de cerca de 25% desde o início da guerra no Oriente Médio, atingindo média de R$ 7,22, de acordo com levantamento da TruckPag com dados de milhares de postos. O aumento acompanha a elevação do petróleo no mercado internacional e reflete o impacto sobre o combustível importado, que representa cerca de 30% do consumo nacional. Especialistas apontam que os efeitos sobre a inflação devem começar a aparecer nas próximas semanas.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pediu à Petrobras aumento na oferta de combustíveis, mas afirmou não haver risco de desabastecimento no país. A agência também adotou medidas para reforçar o monitoramento de estoques, importações e preços.
O mercado permanece sensível à evolução do conflito e a riscos de interrupção no fornecimento global de energia, enquanto medidas políticas e liberações de estoques tentam reduzir a pressão sobre os preços.
Com informações de G1




