TRANSMISSÃO: Record
O outono teve início oficialmente na sexta-feira (20) em um contexto marcado pela transição de estação e pela atenção de cientistas aos sinais de formação de um possível El Niño. Após um verão com calor persistente e eventos extremos em várias regiões do Brasil, especialistas acompanham as próximas semanas para avaliar desdobramentos climáticos.
Em entrevista ao programa É de manhã, da Rádio Brasil de Fato, José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ressaltou que o outono funciona como período de transição: as manhãs tendem a ficar menos quentes, mas é comum a manutenção de temperaturas elevadas nas primeiras semanas.
Marengo observou que, dependendo da dinâmica atmosférica, o início do outono pode registrar dias de temperatura alta, ondas de calor e episódios de chuva intensa, semelhantes aos observados em março em diferentes áreas do país. Segundo ele, o acompanhamento do Oceano Pacífico é determinante, já que o aquecimento anômalo dessa bacia oceânica é o gatilho para o fenômeno global conhecido como El Niño.
O pesquisador informou que o El Niño ainda não se consolidou e que, por enquanto, o sistema se encontra em fase de desenvolvimento, numa condição que oscila entre a neutralidade e resquícios de La Niña. As previsões atuais sinalizam a possibilidade de mudança nos meses seguintes, mas a definição sobre a intensidade do evento só costuma ser possível quando o fenômeno alcança maturidade, normalmente já no verão, a partir de setembro ou outubro.
Marengo também rejeitou previsões alarmistas que circulam na imprensa sobre um eventual “mega-Niño”, afirmando ser precipitado determinar a força do fenômeno neste momento.
O que já está no radar para os próximos meses
No histórico recente, a última ocorrência expressiva de El Niño em 2025 trouxe impactos severos: temperaturas recordes, secas prolongadas na Amazônia e no Nordeste, aumento nos índices de incêndios florestais e enchentes na região Sul. Marengo destacou tendências mais amplas associadas ao aquecimento global, como invernos mais quentes, e apontou que, se um futuro El Niño tiver magnitude semelhante ao de 2025, 2026 e 2027 poderiam figurar entre os anos mais quentes, com consequentes aumentos em extremos climáticos e desastres.
Pesquisadores seguem em monitoramento contínuo das condições no Pacífico e de seus possíveis impactos sobre o clima no Brasil nas próximas estações.
Com informações de Uberlandianofoco




