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quinta-feira, outubro 15, 2026

China afrouxa exigência de tolerância zero para plantas daninhas na soja brasileira; embarques devem ser liberados

Autoridades chinesas concordaram em flexibilizar a exigência de tolerância zero para a presença de plantas daninhas em carregamentos de soja procedentes do Brasil, segundo documento da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura publicado nesta sexta-feira (20) no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do governo federal. Nos dias recentes, cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pela China por apresentarem grãos misturados a ervas daninhas proibidas naquele país.

De acordo com a SDA, em reunião com os representantes chineses o governo brasileiro explicou que, nas condições de produção, não é factível garantir a ausência absoluta de sementes de plantas daninhas na soja. Após o diálogo, as autoridades chinesas aceitaram que não será aplicado o critério de tolerância zero nas cargas originadas do Brasil.

Com a mudança de postura, o Ministério da Agricultura determinou que navios sejam emitidos com certificado fitossanitário mesmo quando laudos laboratoriais apontarem presença de plantas daninhas. Ainda assim, não foi estabelecido um limite numérico oficial para a tolerância; esse percentual será objeto de negociações bilaterais posteriores. Até que haja acordo sobre valores, a avaliação das remessas seguirá baseada em análise de risco e em medidas de mitigação conforme o destino do produto.

O problema ganhou atenção após devoluções recentes e o cancelamento de embarques por parte da Cargill no dia 12 de março. A China é o principal destino da soja brasileira, concentrando cerca de 80% das exportações. Em função das devoluções, representantes do Ministério da Agricultura planejam viajar à China na próxima semana para tratar do assunto.

Em coletiva em 17 de março, o ministro Carlos Fávaro afirmou que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas reconheceu a legitimidade das preocupações chinesas. Ele também informou que pretende propor a elaboração de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja entre os dois países.

Especialistas ouvidos no documento e no mercado indicam que o conflito não é totalmente novo. Raphael Bulascoschi, analista de soja da StoneX Brasil, lembrou que o problema teve início no fim do ano passado, quando o GACC — órgão sanitário chinês — comunicou ao Brasil o envio de carregamentos com excesso de sementes proibidas e material estranho. A pressão recente levou o governo brasileiro a adotar fiscalização mais rigorosa e a emitir certificados com maior critério, o que havia impedido a entrega e o recebimento do pagamento por cargas sem a certificação.

Por sua vez, analistas da Hedgepoint Global Markets consideram o episódio pontual e sem impacto expressivo no volume total exportado ao país asiático. Segundo a empresa, há cerca de 17 milhões de toneladas de soja em fila nos portos brasileiros, com aproximadamente 10 milhões destinadas à China, e não há registros de atrasos relevantes na saída de navios até o momento. Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint, estimou que as 20 embarcações devolvidas corresponderiam a algo entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas, diante de uma projeção de 112 milhões de toneladas a ser exportadas pelo Brasil no ano.

Em nota, a Cargill informou que suas entidades representativas — Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) — publicariam comunicação conjunta sobre o tema; a nota divulgada em 12 de março apenas declarou que as entidades acompanham “de forma atenta” os desdobramentos das exportações de soja.

Com a concordância chinesa em evitar a aplicação da tolerância zero, a previsão é de que as cargas retidas comecem a ser liberadas, enquanto detalhes técnicos e percentuais de tolerância ficam para negociações futuras entre Brasil e China.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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