Faltando menos de um mês para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, candidatos precisam estar atentos não apenas à preparação, mas também a erros que comprometem a nota da redação ou resultam em anulação. A produção é corrigida com base na Cartilha do Participante do Enem 2026, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e deve obedecer ao formato dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa.
O que é exigido na redação
Segundo o documento do Inep, o texto deve apresentar uma tese e sustentá-la com argumentos organizados, além de propor uma intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos. A avaliação é dividida em cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos: domínio da norma-padrão; compreensão do tema; organização da argumentação; coesão textual; e proposta de intervenção.
Principais causas de perda de pontos
Professores ouvidos pelo G1 destacam quatro aspectos que costumam reduzir a pontuação: desenvolvimento insuficiente do tema; uso inadequado do repertório sociocultural; problemas de coesão; e proposta de intervenção incompleta. Entre os erros mais comuns estão:
Tangenciamento do tema: abordar somente o assunto geral, sem tratar o recorte específico pedido no enunciado, limita o desenvolvimento, a argumentação e a proposta de intervenção.
Repertório de bolso: usar citações e referências memorizadas sem explicar a relação com o tema pode enfraquecer o texto em vez de enriquecê-lo.
Uso inadequado de conectivos: expressões como “portanto” e “entretanto” precisam estabelecer relações lógicas corretas; uso equivocado prejudica a progressão do texto.
Proposta de intervenção vaga ou incompleta: a intervenção deve explicitar cinco elementos básicos: agente, ação, meio/modo, finalidade/efeito e um detalhamento. Para cada item faltante, o candidato deixa de ganhar 40 pontos na competência correspondente.
Casos que levam à anulação ou nota zero
O Inep prevê situações específicas em que a redação recebe nota zero: fugir totalmente do tema; produzir um gênero diferente do dissertativo-argumentativo; entregar a folha de redação em branco; escrever até sete linhas manuscritas; copiar os textos motivadores sem desenvolver produção autoral suficiente; inserir desenhos, sinais gráficos ou símbolos usados para anular a prova; incluir trechos deliberadamente desconectados do tema (como receitas, letras de música, mensagens ao corretor, slogans políticos, orações ou piadas); e usar impropérios ou ofensas.
Além disso, a assinatura do texto ou qualquer marca de identificação no espaço reservado à redação pode levar à anulação. Especialistas lembram que rascunhos não são suficientes: é obrigatório transcrever o texto para a folha oficial dentro do tempo disponível.
Orientações para a reta final
Para reduzir o risco de perder pontos, as recomendações são claras: ler atentamente o enunciado e identificar o recorte pedido; planejar a tese e a organização dos parágrafos antes de escrever; selecionar referências que ajudem a sustentar argumentos e explicitar sua relação com o tema; conferir a lógica dos conectivos e garantir que a proposta de intervenção responda quem age, o que fará, como será feito, qual objetivo e algum detalhamento; e reservar tempo para passar o texto a limpo e revisar gramática, coerência e eventuais elementos inadequados.
Documentos que circulam sobre a correção da redação do Enem 2025 mostram mudanças de critérios que têm impactado notas, o que torna ainda mais importante a atenção a esses pontos na preparação para a edição de 2026.
Na prova, cumprir as regras formais é condição necessária, mas demonstrar coerência, pertinência e articulação nos argumentos é o que permite alcançar as competências exigidas pela avaliação.
Com informações de G1




